Enquete

Qual seu candidato para governar o Estado de São Paulo nos próximos 4 anos?

Edson Dorta (PCO – 29)

João Doria (PSDB -45)

Luiz Marinho (PT – 13)

Major Costa e Silva (DC – 27)

Marcelo Candido (PDT -12)

Marcio França (PSC – 40)

Paulo Skaf (MDB – 15)

Prof. Claudio Fernando (PMN – 33)

Profª Lisete (PSOL – 50)

Rodrigo Tavares (PRTB – 28)

Rogerio Chequer (NOVO – 30)

 

Boas práticas no funcionalismo público no país concorrem a prêmios de R$ 50 mil (07/08/2018)

  • Nelson Lima Neto
    Em meio às dificuldades do dia a dia, servidores públicos de todo o Brasil vêm colocando em prática ideias que resultam em melhorias dos serviços prestados à população, que vão desde a criação de um currículo escolar no interior da Bahia até a coordenação da comunicação entre os órgãos públicos durante a Copa do Mundo de 2018 e a Olimpíada de 2016. Essas iniciativas serão destacadas pelo 1º Prêmio Espírito Público, que será entregue no dia 14 de agosto, num evento no Museu de Arte do Rio (MAR). Para conhecer os 12 finalistas da premiação, o EXTRA apresenta abaixo todos os indicados em cada uma das quatro categorias: Educação, Meio Ambiente, Segurança Pública e Gestão e Finanças Públicas.

    O vencedor de cada uma receberá R$ 50 mil, além de uma viagem a Londres para conhecer instituições do serviço público britânicas, em parceria com o jornal “The Guardian”.

    Os indicados estão distribuídos pelas esferas municipal, estadual e federal. Todos implantaram ações inovadoras nas áreas em que atuam. No Rio de Janeiro, por exemplo, duas candidatas concorrem em diferentes categorias: a servidora da Secretaria de Segurança Pública, Emanuelle Netto, de 40 anos, e a atual secretária de Planejamento de Niterói, Giovanna Victer, de 43.

    — Todos são capazes de mudar o que não está bom — ressaltou Giovanna.

    A idealização do projeto é uma parceria entre o Instituto República, organização sem fins lucrativos, e a associação Agenda Brasil do Futuro.

    — Temos plena convicção de que muitos dos que trabalham no setor já são ou têm o potencial para serem protagonistas na construção de um Brasil melhor, o que tem sido confirmado com as centenas de histórias emocionantes recebidas — avaliou Eloy Oliveira, diretor executivo do Instituto República.

    Foram 375 projetos inscritos por servidores públicos. Entre as categorias, o destaque foi para a de Educação, que teve 156 cadastrados.

    Quanto aos estados em que os funcionários estão lotados, há uma presença marcante do Rio, com 54 inscritos. Em seguida, apareceram Distrito Federal, com 49; São Paulo, com 40; e Ceará, com 36.

    Veja quem são os finalistas e suas ações no serviço público:

    Segurança Pública

    Gracimeri Gaviorno, 47 anos, delegada da Polícia Civil do Estado do Espírito Santo

    Projeto(s): Em 2001, levou o Disque Denúncia ao estado, o primeiro a ter o serviço gratuito. Em 2016, quando era delegada-chefe da Polícia Civil, Gracimeri participou do projeto Aproximação, com capacitação para a melhoria do atendimento à população. No fim do mesmo ano, elaborou com sua equipe o programa Capacitar para Transformar, após receber reclamações de duas comunidades sobre a violência da polícia militar. Ao sofrer preconceito ao ser nomeada chefe, desenvolveu projetos para mulheres vítimas de violência. Ela criou um setor próprio na Polícia Civil para esse tema, além de grupos técnicos e de estudos, e o Espaço Lilás, para o atendimento de mulheres agredidas. Em 2015, Antes de assumir a chefia de polícia, quando o Espírito Santo estava no topo do ranking da violência de gênero, idealizou o programa Homem que é Homem, grupo de conscientização de homens agressores.

    Emanuelle Netto, de 40 anos, servidora da Secretaria de Estado de Segurança do Rio de Janeiro (Seseg-RJ).

    Projeto(s): Participou da criação de um sistema integrado de radiocomunicação, conectando órgãos como as Polícias Militar e Civil, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil, além de instituições federais e de municípios — hoje, a secretaria tem acordos técnicos com 33 entes. O monitoramento de todo o Estado durante a realização de grandes eventos, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 teve participação de Emanuelle. O sistema, por sinal, foi premiado internacionalmente em 2016. Pela Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ), Emanuelle coordenou projetos do Centro de Comunicações e Informática, voltados à comunicação dos agentes de segurança durante suas atividades.
    Francisco Lino Coelho, de 65 anos, agente penitenciário do Estado do Ceará.

    Projeto(s): Na cadeia pública de Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, que administra desde 2011, o servidor elaborou um serviço para dependentes de drogas, o primeiro do Brasil para presos em regime fechado, e usou doações e mão de obra dos presos para construir uma sala de aula, além de consultórios médico e odontológico. Sua preocupação com a educação veio desde a administração da cadeia pública de Maracanaú, também na Região Metropolitana de Fortaleza. Entre 2003 e 2008, Lino levou professores ao local e instalou uma sala de aula com computadores, por meio de convênio com a prefeitura.

    Meio Ambiente

    Patricia Sepe, de 54 anos, geóloga e servidora da secretaria municipal de Desenvolvimento Urbano de São Paulo.

    Projeto(s): Há cinco anos, Patricia tem conseguido incorporar o meio ambiente às políticas públicas urbanas, num desafio ao que chama de “visão fragmentada da cidade”. A servidora integrou a equipe que criou o Plano Diretor Estratégico de São Paulo, em 2014, premiado pela ONU-Habitat, além de participar do grupo Quota Ambiental, que desde 2016 estabelece o licenciamento de novas construções no município. Patricia participou, também, da elaboração de meios de informação e fiscalização ambiental que se tornaram referência no setor, como o Atlas Ambiental de São Paulo e indicadores da qualidade ambiental, além dos primeiros inventários de emissões e remoções de gases de efeito estufa da cidade.

    Jair Schmitt, de 43 ano, servidor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

    Projeto(s): No Ibama, Schmitt implementou um modelo matemático para mensurar o quanto a fiscalização ambiental consegue impedir infrações. O método é usado por diversas instituições públicas pelo país. Ele ainda participou da concepção do Auto de Infração Eletrônico, plataforma que permite lavrar os documentos de fiscalização ambiental eletronicamente, reunindo as mais de 15 mil autuações anuais do órgão. O servidor assumiu a assumiu a fiscalização ambiental do Ibama em todo o país em 2013, e desde 2017 trabalha no Ministério do Meio Ambiente.

    Carla foi responsável pela nova modelagem do Parque Nacional dos Veadeiros Carla foi responsável pela nova modelagem do Parque Nacional dos Veadeiros Foto: Divulgação
    Carla Cristina Guaitanele, de 37 anos, servidora do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio)

    Projeto(s): Em 2009, Carla começou a trabalhar na criação de unidades de conservação federais. Era a chance de envolver a sociedade na reformulação dos limites do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, no Estado de Goiás. Ao lado de sua equipe, a servidora reuniu conselhos de meio ambiente, sindicato rural e proprietários, entre outros. Habitações próximas aos limites da ampliação ficaram fora do parque, enquanto outras precisaram ser desapropriadas ou entraram em termos de compromisso em seu uso. Algumas áreas com atrativos naturais tornaram-se parceiras do parque, mas as que não tinham gestão foram incorporadas à área de conservação. Mesmo com uma interrupção de dois anos nas discussões, o parque finalmente foi ampliado de 65 mil para 240 mil hectares em 2017. Como chefe do parque entre 2013 e 2016, Carla contribuiu para abrir novas atrações ao turismo e formou um programa de voluntariado. A visitação cresceu 144% e houve aumento de 300% nas pesquisas no local.

    Gestão


     Robinson reforçou o antedimento em agências do INSS Robinson reforçou o antedimento em agências do INSS Foto: Divulgação
    Robinson Nemeth, de 35 anos, servidor do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

    Projeto(s): Especializado em gestão pública, Nemeth idealizou e desenvolveu um projeto que permitiu a ampliação no número de agendamentos, sendo convidado a implementá-lo nas 1400 unidades do órgão em todo o país. Essa melhoria ocorreu mesmo com a diminuição do número de servidores nos últimos cinco anos. Em 2010, ele assessorou o desenvolvimento de um sistema para medir as demandas das agências, de modo a distribuir melhor os servidores e diminuir a diferença de tempo de atendimento entre elas. O servidor também participou da criação do atendimento expresso para serviços simples, além de um portal on-line para a consulta dos cidadãos.

    Luciana Paiva, de 45 anos, servidora do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

    Projeto(s): Como supervisora da Superintendência Regional do Ministério do Trabalho e Emprego de São Paulo desde 2010, Luciana reestruturou a agência da sede na capital paulista, modificando o sistema de agendamento de vagas, e, já como chefe, descentralizou a análise dos recursos no estado, antes concentrados na capital. A autonomia de outras agências municipais também aumentou com a criação de um grupo de assistentes regionais. Em 2017, o setor de seguro-desemprego cumpriu a meta de analisar todos os pedidos dos cidadãos em menos de 30 dias.

    Giovanna Victer, de 43 anos, secretária municipal de Planejamento, Modernização da Gestão, Orçamento e Controle de Niterói.

    Projeto(s): Responsável pela implantação de um sistema informatizado na prefeitura. Giovanna liderou, também, o projeto Niterói Mais Resiliente, em 2016, e no ano seguinte, a cidade ficou no topo do ranking de gestão fiscal da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Como secretário, lutou pela criação de cursos de gestão e das carreiras de analista de políticas públicas e auditor de controle interno.

    Educação


     Renato foi responsável por aliar a Educação, a música e o ensino a jovens com deficiência visual Renato foi responsável por aliar a Educação, a música e o ensino a jovens com deficiência visual Foto: Divulgação
    Renato Antonio Brandão, de 41 anos, ex-professor na secretaria municipal de Educação de Manaus e docente da Universidade Federal do Amazonas.

    Projeto(s): Responsável pela criação primeira a turma de música para deficientes visuais do estado, entre 2004 e 2010 e, em parceria com a Biblioteca Braille, coordenou a adaptação de leitura de músicas para pessoas de baixa ou ausência de visão. Isso contribuiu para a formação da primeira Escola da Cidadania, com projetos de formação de professores para a educação especial. A partir de seu ingresso na Universidade Federal do Amazonas como docente, ajudou a implantar o primeiro núcleo de acessibilidade da instituição. Detalhe, Brandão aprendeu a tocar violão de ouvido. Só após tirar a carteira de músico profissional, aos 19 anos, ele buscou formas de estudar músicas adaptadas à sua síndrome de baixa visão, que o impede de ler.

    Janaina Oliveira Barros, de 40 anos, servidora da secretaria municipal de Educação de Seabra, na Bahia.

    Projeto(s): Janaina foi responsável pela criação de um currículo escolar a partir da sua posse como coordenadora da Escola Ivani Oliveira, em 2012. O plano de avaliação ali adotado foi ampliado para toda Seabra e apresentado em mais de 30 cidades da Bahia, em capitais brasileiras e no Chile. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica atingiu 5,9 e a aprovação passou a 98%. Essas ações deram à instituição o Prêmio de Gestão Escolar da América Latina Victor Civita, em 2013. Hoje a evasão escolar é de menos de 2%, os pais participam da escola, a defasagem de idade foi eliminada. Janaina elaborou um plano de apoio à alfabetização, cadastrou os alunos na biblioteca municipal, e hoje luta por infraestrutura para estudantes do turno noturno e de baixa visão.

    Maria Tereza Paschoal de Moraes, de 37 anos, servidora da rede municipal de ensino e ex-secretária de Educação de Ourinhos, em São Paulo.

    Projeto(s): Como secretária de Educação de Ourinhos, Maria Tereza criou uma central única de vagas em creches, para acabar com o clientelismo e as ações judiciais por vagas. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica aumentou de 5,3, em 2011, para 6,4, em 2015, e os diretores das escolas passaram a ser escolhidos por seleção, e não por indicação política. O projeto foi “levado” para Londrina, após Maria Tereza ser selecionada para assumir a secretaria de Educação municipal. Em 2017, o município enfrentou 17 ações da Defensoria Pública pedindo vagas em creches, contra 600 em 2016.

    Jornal Extra

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