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Fechamento de bases da Samu faz ambulâncias ficarem paradas por 12 horas em SP (11/04/2019)

  • Governo federal diz que prática é ilegal e ameaça cortar verba enviada à cidade. 

    Com fechamento de 31 bases, ambulâncias ficam sem equipes e população reclama de falta de atendimento.

    Por Victor Bonini, Willian Okada e Eliane Silva, SP1

    Após a Prefeitura de São Paulo resolver descentralizar o serviço do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), com a justificativa de ampliar o atendimento, muitas ambulâncias estão paradas por falta de equipes. Isso porque a cidade está fechando 31 das 58 bases que possui.

    A Prefeitura recebe verba do governo federal para que as ambulâncias andem 24 horas. Agora, a ameaça do Ministério da Saúde é de cancelar ou reduzir o dinheiro enviado se o serviço não estiver sendo cumprido.

    Uma funcionária da Samu que isso é comum manter os veículos parados porque a Prefeitura não tem equipes suficientes para as 122 ambulâncias disponíveis. A prática é conhecida como espelhamento.

    Pelo espelhamento, você tem duas viaturas em um ponto assistencial e uma equipe, sendo que uma equipe vai rodar 12 horas em uma viatura e a outra vai rodar 12 horas na viatura seguinte. Sempre vai ficar uma ambulância parada.

    Os funcionários contam que o espelhamento aumentou nos últimos meses. Isso porque a prefeitura está fechando trinta e uma bases e redistribuindo as equipes com a justificativa de ampliação do atendimento.

    Ao todo, 31 bases do Samu modulares que estão instaladas em contêineres serão fechadas. Os contêineres são alugados e possuem custos mensais de cerca de R$ 20 mil ao mês e vão gerar uma economia aos cofres públicos de mais de R$ 600 mil mensais. As outras 28 bases que são integradas aos bombeiros e hospitais continuam funcionando.

    Na base do Samu na UPA Itaquera, na Zona Leste, a sala dos funcionários está vazia, após os agentes saírem para um chamado. No estacionamento, há uma ambulância do serviço parada, sendo que a viatura deveria estar rodando nesse horário. Segundo o Diário Oficial, essa ambulância está escalada para o período diurno.

    Na Unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA) JK, em Guaianazes, na Zona Leste, a porta de entrada da sala do Samu estava trancada, com um carro parado na frente. Os funcionários tinham saído com uma ambulância para um atendimento. Enquanto isso, outra viatura ficou parada. Segundo o Diário Oficial, ela só roda à noite.

    Reestruturação
    As mudanças feitas pela Prefeitura, porém, ainda não refletiram em aperfeiçoamento nas unidades. Em muitos casos, há uma equipe escalada por turno, sendo que na base há duas ambulâncias.

    O secretário municipal de Saúde, Vitor Aparecido, diz que o processo de reestruturação está sendo feito especialmente para que haja melhoria na qualidade do serviço prestado e também na quantidade de funcionários disponíveis.

    O secretário salientou ainda que o esquema feito para o Samu da capital é de 2003, está defasado logisticamente, e por isso está sendo aperfeiçoado. Segundo Aparecido, a cidade gasta R$ 91 milhões por ano para a manutenção do Samu, mais R$ 60 milhões com a folha de pagamento de profissionais.

    Ele salienta ainda que, com a reformulação que a Prefeitura está fazendo na rede prestadora do serviço está retirando funcionários da área administrativa para que passam a atuar na área fim, sendo que, em alguns casos, a quantidade de equipes e profissionais disponíveis irá triplicar.

    Repasse pode ser cancelado
    No Plano Municipal de Saúde, lançado em 2018, a Prefeitura diz que a meta, até 2021, é colocar em serviço ininterrupto, ou seja, 24 horas por dia, as 122 ambulâncias do Samu na cidade.

    De acordo com funcionários do Samu ouvidos pelo G1, o objetivo da medida é contingenciar gastos. No entanto, a Prefeitura alega que a finalidade da alteração é integrar os equipamentos da rede regionalizada a ampliar os pontos de assistência e cobertura pré-hospitalar dos atuais 58 para 78 pontos de apoio. A ampliação está prevista para ocorrer até o fim de 2020.

    O problema é que, para o governo federal, as ambulâncias sempre deveriam estar operando o dia inteiro. O Ministério da Saúde disse que o "Samu deve funcionar 24 horas" e que se "a ambulância estiver operando apenas 12 horas por dia", significa uma "irregularidade, podendo até ter o custeio repassado pelo governo federal cancelado".

    Segundo o governo federal, a Prefeitura recebe R$ 44 milhões por ano pelo serviço do Samu.

    Enquanto isso, pacientes reclamam da falta de atendimento.
    Em 31 de março, Elizabete pediu uma ambulância do Samu para a tia, de 89 anos de idade. A ligação foi às 15h. Como a ambulância não havia chegado às 22h, ela desistiu. No dia seguinte de manhã, a tia dela teve uma parada cardiorrespiratória em casa e morreu.

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