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Carros roubados em SP eram desmanchados e viravam peças vendidas no DF (02/10/2019)

  • A Polícia Civil deflagrou uma megaoperação na manhã desta segunda-feira (30/09/2019) para desarticular organização criminosa especializada em roubo e desmanche de veículos. Cerca de 450 policiais cumprem 120 mandados de prisão, preventiva e temporária, de busca e apreensão. Durante a ação, os agentes interditaram 20 lojas no Distrito Federal, São Paulo e Goiás. As buscas são feitas nas cidades de Campinas, Valinhos, Hortolândia, Indaiatuba, Brasília, Goiânia e Águas Lindas.

    Até as 13h, 25 pessoas foram presas, sendo 14 no DF, oito em São Paulo e três em Goiás. A maioria deles donos de lojas.

    A operação foi em conjunto com a Secretaria de Fazenda do DF, que destacou 18 auditores para a ação. Foram mobilizadas três aeronaves e 100 viaturas. De acordo com a Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Corpatri), que conduz as investigações, os criminosos faziam a revenda de peças automotivas em outros estados. No DF, eles atuavam, principalmente, no Setor H Norte, em Taguatinga.

    A Polícia Civil estima que a quadrilha teria enviado ao DF, na última década, ao menos 2 mil carros cortados. A operação foi batizada de Rota da Seda, em alusão às diversas rotas comerciais que na antiguidade se originavam na Ásia e faziam chegar aos europeus diversos produtos sem que eles soubessem a que preço isso acontecia.

    A investigação aponta que os veículos eram roubados e furtados em Campinas (SP) e adjacências, cortados em galpões gigantes e imediatamente remetidos às lojas do DF. “Era uma verdadeira indústria de roubo e furto de carros e desmanches. Pelo menos seis caminhões diferentes eram usados no transporte das peças. Cada um comportava, em média, 10 veículos cortados. Eles chegavam a transcorrer o percurso DF-GO-SP até três vezes na semana, indicando, portanto, um volume inacreditável de carros roubados que eram inseridos no mercado de autopeças”, detalhou o delegado Eric Salum.
    Ainda de acordo com os policiais, para ludibriar a fiscalização nas rodovias, eram emitidas notas fiscais frias. Todos os números de identificação do chassi também eram suprimidos, impedindo que fosse possível identificar e vincular as peças transportadas a ocorrências de roubos e furtos em São Paulo.

    “​Durante a investigação, um desses caminhões acabou sendo apreendido e toda a sua carga retirada. Nessa oportunidade, foi possível montar, como um quebra-cabeça, no pátio do Instituto de Criminalística, 10 carros completos (quatro portas, capô, tampa traseira, teto, para-choques, para-lamas, faróis, lanternas, espelhos e toda a parte de acabamento e mecânica). Os criminosos chegavam a enviar as baterias dos carros e até mesmo os extintores de incêndio que vinham ainda carregados”, completou Salum.

    ​Ao chegarem no DF, as peças eram pulverizadas em dezenas de lojas que as inseriam no mercado também pela emissão de notas falsas, fazendo girar uma imensa máquina de lavagem de dinheiro e uma série de fraudes tributárias. ​Ao roubar e furtar veículos em uma unidade da Federação e remetê-los para outra, a organização criminosa conseguia ficar fora do radar das autoridades locais. No mesmo giro, a emissão de notas falsas camuflava ainda mais a operação, razão pela qual o esquema conseguiu funcionar por tanto tempo sem ser descoberto.

    Investigação
    ​Os policiais se infiltraram no comércio de autopeças do Setor H Norte em Taguatinga e, passando-se por empresários, simularam compras de lotes de peças – chamados de “pacotes” ou “kit lata”. A partir daí, conseguiram descobrir todo o esquema e chegar até os núcleos da quadrilha em SP e GO.

    ​​Segundo a PCDF, ficou comprovado que pelo menos 95% das lojas do DF estão fora da legislação vigente, que exige uma série de condicionantes para autorização de funcionamento. Os policiais constataram que, direta ou indiretamente, a grande massa de estabelecimentos da capital federal está vendendo peças de carros roubados e furtados não só no DF, como também em outros estados. A corporação ressalta que as investigações avançam para desvendar outras rotas ilegais de transporte de peças e prisão de mais lojistas que também se encontram envolvidos.

    ​Todos os indiciados irão responder por organização criminosa, roubo qualificado, receptação qualificada, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e fraude tributária. As lojas dos criminosos foram interditadas e todos os estoques de peças sem procedência serão apreendidas para futuro perdimento. As penas máximas somadas podem ultrapassar os 30 anos de prisão.

    ​A Justiça autorizou o bloqueio de bens e das contas bancárias dos acusados. Os presos em outros estados foram trazidos para o DF e estão à disposição da 2ª Vara Criminal de Taguatinga.
    “O setor de revenda de autopeças usadas no DF, em especial as lojas localizadas no setor H Norte de Taguatinga, são um câncer instalado em plena capital da República que precisa ser combatido até mesmo para proteger o bom empresariado, que tem sofrido com a concorrência desleal”, destacou o delegado Eric Salum.

    Metrópoles

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