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Fundos têm sangria de R$ 91 bilhões em abril, recorde da série histórica (10/05/2020)

  • Maior parte dos saques foi na renda fixa, que perdeu rentabilidade com a queda da Selic; pandemia também estimulou retiradas

    Júlia Moura
    SÃO PAULO
    Em abril, fundos de investimento tiveram o segundo mês seguido de resgate líquido —mais saques que depósitos—, com saída de R$ 91,1 bilhões, recorde da série histórica da Anbima (entidade do mercado de capitais), que começou em 2002.

    Em março, foram retirados R$ 24,2 bilhões da indústria de fundos. No ano, a sangria é de R$ 69,6 bilhões.

    A maior parte da retirada de abril (64%) foi dos fundos de renda fixa, com resgate líquido de R$ 58,6 bilhões. Nessa classe, os mais afetados foram fundos de curta duração que investem, no mínimo, 80% em títulos públicos e ativos de baixo risco de crédito, com R$ 46,1 bilhões de resgates no mês e R$ 123,1 bilhões no ano.

    Ao todo, fundos de renda fixa têm captação líquida negativa de R$ 120,7 bilhões em 2020, com mais resgates que aportes desde outubro de 2019. A categoria passa por uma redução na rentabilidade com a queda da Selic, que está em 3% ao ano. Segundo estimativas do mercado, a taxa pode ir a 2,25% ao fim de 2020, o que deixaria o juro real (descontado da inflação) próximo de zero.
    Para preservar o retorno dos investimentos, muitos brasileiros resgatam ativos da renda fixa e migram para a variável. Além disso, a crise do coronavírus levou muitos a recorrerem à reserva financeira.

    “Parte deste dinheiro, provavelmente, foi direcionada para conta corrente para pagamento de despesas”, afirma Carlos André, vice-presidente da Anbima.

    Apesar dos resgates, fundos de renda fixa ainda concentram o maior patrimônio líquido da indústria, com R$ 2 trilhões. Em seguida, estão os multimercado —que combinam aplicações conservadoras, como títulos públicos, com ativos mais arriscados, que podem ser dívidas em empresas, ações e dívidas de empresas no exterior—, com R$ 1, 1 trilhão.
    Em abril, multimercados tiveram a primeira saída líquida (R$ 13,4 bilhões) desde novembro, mas mantêm saldo positivo em 2020, com R$ 9 bilhões de captação.

    O mesmo aconteceu com fundos de ações, mas com menor proporção: foram R$ 637 milhões a menos.

    No ano, há captação líquida de R$ 44 bilhões, a maior da indústria.

    No total, os fundos de ações encerraram abril com um patrimônio líquido de R$ 391,5 bilhões. Em janeiro de 2020, quando a Bolsa estava no ápice de 119 mil pontos, eram R$ 528,2 bilhões.

    Como fundos de ações geralmente têm um prazo de resgate maior, com liquidação em 30 ou 60 dias, a saída de investidores com a forte queda da Bolsa entre fevereiro e março, quando o Ibovespa foi a 63 mil pontos, se refletirá posteriormente.

    “Só em maio teremos uma visão mais ampla do impacto da pandemia sobre esse segmento”, diz Carlos André.

    Folha de São Paulo

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