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No escritório ou no home office, cadeira é retrato de desigualdade salarial (20/06/2020)

  • Cadeira objeto de desejo de arquitetos custa R$ 10 mil e aposta é de linha de crédito para montar escritório em casa

    Amanda Lemos
    SÃO PAULO
    Na pouco glamourosa vida em home office, descobrimos que a cadeira da mesa de jantar não serve para trabalhar. Muito menos aquela que era barata no site e parecia boa, mas que acabou saindo caro para coluna. Passando a régua, chegamos a conclusão que o ambiente trabalho é mais confortável que o de casa.

    Escritórios foram estruturados para que a vida profissional aconteça. Além da função estética, o mobiliário é pensado para o conforto e produtividade dos funcionários durante o expediente.

    “Houve um conceito de divisão hierárquica muito latente nos anos 1990. A cadeira do diretor e do gerente eram melhores, e de outros funcionários eram inferiores”, conta Fabiano Virginio, designer e professor do Istituto Europeo di Design.

    Há pelo menos 15 anos, diz o designer, esse conceito mudou consideravelmente. Empresas que prezam pela qualidade de vida do trabalhador contratam escritórios de design e arquitetura para pensar em como os móveis podem refletir certa horizontalidade.

    Para arquiteta e professora do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo Elisabeth Cristina Ecker, a cadeira de escritório já representou com muito mais força a desigualdade, quando eram desenhadas de forma correspondente à hierarquia do posto de trabalho, como a do presidente e de secretária.

    “Notamos uma tendência contemporânea em mudar este quadro, desde quando a cadeira Aeron foi criada”, diz. O modelo foi desenvolvido por William Stumpf e Donald Chadwick para a empresa americana Herman Miller em 1994 e é considerada a um ícone por inovar em conforto e design.

    Em tempos de pandemia, em que houve o deslocamento do local de trabalho para dentro de casa, o que preocupa os especialistas é a falta de conhecimento na escolha do produto ideal.

    “O ponto é que dificilmente um usuário comum possui conhecimento sobre o quão importante os atributos de design e qualidade de uma cadeira são para seu próprio conforto durante o trabalho”, diz Virginio. “O profissional acaba escolhendo por preço ou pelo gosto somente.”

    A cadeira mais adequada para trabalhar, segundo Ecker e Virginio, deve trazer opções de regulagem da altura do assento e do apoio de braço, ter encosto com possibilidade de inclinação e rodinhas com 5 cm de diâmetro, para facilitar a movimentação e evitar acidentes independentemente do piso.

    “Essas funções fazem com que a cadeira se adapte à qualquer tamanho de usuário e condiciona uma boa oxigenação ao cérebro, a coluna vertebral vai estar melhor posicionada e pode reduzir a fadiga e o estresse”, diz Ecker.

    Para ter uma cadeira que atenda esses requisitos é necessário desembolsar uma quantia robusta. Uma Aeron, sonho de consumo dos arquitetos, parte de R$ 10 mil no site na Herman Miller. O que puxa o preço, dizem, é a qualidade do produto e a garantia de que ele atende toda regulamentação técnica.

    É possível encontrar no mercado modelos semelhantes, mas que podem ter menor durabilidade e qualidade inferior. “O que existe é uma linha de subprodutos que são oferecidos no mercado que não respeita e valoriza essas especificações”, diz Virginio. Outra opção, diz o designer, é encontrar modelos conhecidos em versões usadas.

    Nas últimas semanas, em um ritmo de retomada lenta do funcionamento de escritórios, empresas esboçam que irão continuar mantendo parte dos funcionários em home office.

    Para Virginio, em pouco tempo surgirá um mercado de serviços especializados de arquitetura, além de linhas de crédito especiais para profissionais autônomos montarem em casa um espaço de trabalho adequado com preocupação similar ao que empresas já possuem em seus escritórios.

    “Sendo a cadeira o item mais caro desta lista de adequação, arrisco dizer que uma boa cadeira de escritório em casa vai se tornar também um dos objetos preferidos por todos”, diz.

    O QUE DEVE TER UMA BOA CADEIRA DE ESCRITÓRIO?
    -Possibilidade de regular a altura do assento, com um bom acionamento do pistão
    -Apoio de braço também deve ter opção de subida e descida
    -Encosto com opção para reclinar
    -Rodinhas grandes, a partir de 5 cm de diâmetro, para facilitar deslizamento da cadeira

    Jornal Folha de São Paulo

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