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Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
FILIE-SE
 

Bob Fernandes/No espólio dos protestos, cinismo e hipocrisia (02/07/2013)

  • Alckmin cai muito nas pesquisas. Dispara a rejeição a Haddad. Despenca a popularidade de Dilma.


  • Alckmin cai muito nas pesquisas. Dispara a rejeição a Haddad. Despenca a popularidade de Dilma. Dias antes das multidões tomarem as ruas comentamos aqui: os grandes partidos políticos estavam fugindo do debate ideológico.

    Sem o claro confronto de ideias prevalece o pior, a escuridão. Com líderes e partidos na mesmice e no muro, multidões ocuparam as ruas.

    Caixa dois ou maracutaia, pouco importa. Com o chamado "mensalão", o PT perdeu a primazia do discurso ético. E, lembramos então, nenhum dos grandes partidos tem autoridade para tratar da questão moral.

    O discurso moral, ou moralista, soa hipócrita na boca dos partidos. Quem conhece intestinos de campanhas e alianças sabe: não há marketing que esconda esse fato.

    Uma semana antes das manifestações, a constatação: para manter o poder, o PT se divorciava cada vez mais das lutas e teses que levaram à sua criação. Entre outras lutas, direitos das mulheres, direitos civis, questões ambientais, agrária e indígenas.

    Ensurdecedor também o silêncio de demais lideranças. Não se sabia, e não se sabe, o que pensam de questões polêmicas outros pré-candidatos.

    Se Dilma estava encastelada, também Eduardo Campos, do PSB, Aécio Neves, do PSDB, e Marina Silva evitavam, e ainda evitam bola dividida. 

    Na disputa pelo espólio das manifestações, alguns riscos. O maior deles parece, ao menos por enquanto, sob controle. A enorme maioria protesta em paz e quer democracia. Mas bandos e bandidos, franjas fascistóides da sociedade ou de instituições buscam a violência.

    Essa gente vive e se alimenta da escuridão.

    Outro risco é o de errar novamente. Um factoide governista, como o da Constituinte, irrealizável, pode até desviar o foco, mas não resiste, não resistiu à onda seguinte.

    De outro lado, a oposição: jurar disposição para fazer reforma política é de um cinismo assombroso. Negar um factoide produzindo outros é seguir não entendendo o recado das ruas.

    Esse recado, muitas vezes tem sido caótico, múltiplo, irado. Mais um motivo para ser levado a sério. Erro grave tentar transformar essa dura mensagem em apenas mais um joguete da velha política.




    O preço pode ser muito alto. Não por acaso, em alta nas pesquisas apenas Marina Silva e Joaquim Barbosa. A rede de Marina é, por ora, um projeto em andamento. Ainda sem existência legal a pouco mais de um ano da eleição.

    E Joaquim Barbosa? Bem, Barbosa disse que os partidos do Brasil "são de mentirinha". Há uma dose de verdade nisso, mas sem partidos a democracia não existe. E na luta política, pelo Poder, não existe vácuo.


    Tema: Política

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