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Terça-Feira, 12 de Dezembro de 2017
FILIE-SE
 

Bob Fernandes/ Grade no Masp é confissão de fracasso (03/12/2013)


  • Teixeira Coelho é curador do Museu de Arte de São Paulo, o MASP. O curador defende que o vão livre do MASP seja cercado por grades.

    O curador, com suas razões, aponta inúmeros espaços públicos que cederam ao cerco das grades. Aliás, já há muito tempo espaços públicos e privados cedem às grades, cercas e muros.

    Muitos dos que apoiam o gradeamento do MASP elencam motivos: moradores de rua, drogados, barraqueiros e traficantes andam ocupando o vão livre do Museu.

    A pergunta a ser feita é: cercar o MASP com grades é a solução? Ou seria a confissão de fracasso dos governos e da sociedade?

    Segundo o Censo de 2010, São Paulo tem, pelo menos, 13 mil moradores de rua. Como esses que se abrigam no vão do MASP. 

    Se moradores de rua não se aboletarem debaixo de marquises, pontes, viadutos ou museus, vão se abrigar onde?

    E usuários de drogas pesadas? No que deu a Operação Cracolândia? Aquela que a 3 de janeiro de 2012 expulsou mil, dois mil usuários de crack que viviam como zumbis na região da Luz.

    Internação compulsória ou não, clínicas de reabilitação...todos nos lembramos dos debates à época. Da mesma forma, quem mora em São Paulo sabe, e vê todo dia: o resultado foi que usuários se espalharam pela cidade. E quase mais nada.

    As três entidades que cuidam do patrimônio histórico - a federal, estadual e municipal- são contra cercar o MASP. A princípio por motivos de arte e arquitetura. Mas, óbvio, sabem que existem outros motivos.

    O que fazer com os moradores de rua, com usuários de drogas pesadas? A solução, certamente, não é erguer grades. Não é construir muros para afastá-los da nossa vista. Eles não deixarão de existir se não os enxergarmos.

    O Brasil têm cerca de 370 mil usuários de crack espalhados por mais de 70% das suas cidades. Qual é ideia? Erguer grades para não tê-los por perto?

    Ou, governos e sociedade admitirem e enfrentarem a tragédia que não há grade nem muro que esconda: o Brasil tem estimados 1 milhão e 800 mil moradores de rua.

    O que fazer com não-incluídos, ou excluídos? Empurrá-los mar adentro? Ou, sem marquetologia eleitoral, debater, buscar soluções e agir. Como fizeram e fazem tantos outros países.

    Moradores de rua, usuários de drogas e barraqueiros. Além deles, segundo se lê e ouve, traficantes estariam ocupando o vão do MASP.

    Exagero. Se tanto, são repassadores de drogas. Conhecidos como "mulas". Traficantes mesmo se valem de caminhões, navios, ou aviões.

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